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EduPapo com Conrado Navarro

“Investir, portanto, não é sinônimo de arriscar. Investir é, antes de tudo, uma decisão inteligente e que precisa ser tomada levando-se em conta o patrimônio do investidor, seu grau de aversão ao risco, perfil (idade, estilo de vida e conhecimento de finanças e mercado) e seu tempo disponível. Investir, na minha concepção, é construir e usufruir da liberdade.”

Conrado Navarro


Conrado Navarro, empresário, investidor, MBA Executivo em Finanças pela UNIFEI, é autor do livro “Vamos Falar de Dinheiro?” (Ed. Novatec), co-autor de “Dinheirama” (Ed. Blogbooks Ediouro) e colunista do portal Você S/A (Editora Abril), da Revista InfoMoney e do jornal “O Sul de Minas”. Foi eleito o “Guru Financeiro do Ano”, em 2012, pela comunidade de investidores ADVFN.

Navarro é sócio-fundador do Dinheirama.com, um dos mais premiados sites de finanças pessoais e investimentos do Brasil. Vencedor de duas edições consecutivas do prêmio Best Blogs Brazil na categoria “Negócios e Finanças”, apontado pelo Ibope como o blog de finanças pessoais mais influente do Brasil, finalista do Prêmio CNH de Jornalismo Econômico em 2011 e 2012 e um dos 50 blogs mais lidos do país, o Dinheirama é hoje uma referência em educação financeira, com mais de 7 milhões de visitantes.

EduFin: Quando e por que decidiu direcionar sua carreira para a educação financeira?

Investimentos
CN: Eu sempre fui um apaixonado por investimentos e temas relacionados a finanças, dinheiro e empreendedorismo. A carreira ligada ao tema veio como consequência de praticar muito do que hoje recomendo aos leitores e clientes. Educação financeira é um processo que faz parte de meu cotidiano desde praticamente meus 18 anos, o que contribuiu muito para que eu me sentisse confortável em compartilhar tudo aquilo que deu e não deu certo nesse período.

Eu diria que trabalhar com educação financeira carrega muita responsabilidade, pois trata-se de uma área ligada ao bem-estar e à qualidade de vida das pessoas. Uma mensagem relacionando dinheiro e vida só faz sentido quando quem a profere vive o que diz, por isso acho que meu trabalho tem sido bem recebido. É como o médico que ensina que saúde é importante, mas tem um estilo de vida diferente, com abusos, cigarro e bebida em excesso, por exemplo. Credibilidade é fundamental.

EduFin: Por que hoje acompanhamos este crescimento do conceito de Educação Financeira, com iniciativas do setor publico e privado para a educação da população? Qual a importância disso?

CN: Acredito que três razões trouxeram o assunto “educação financeira” para dentro de casa como nunca antes:

  1. Elevação da renda. Ganhando mais, é natural que mais possa ser consumido, investido e multiplicado. O que antes não era acessível, passa a ser – e isso gera demanda por informações, sugestões e leituras especializadas;
  2. Escolaridade e maior acesso ao conhecimento. Pessoas com mais bagagem cultural e profissional tendem a buscar mais conhecimento em áreas reconhecidamente negligenciadas, sendo as finanças pessoais uma delas;
  3. Realidade econômica. Diante de um cenário econômico de juros baixos, algo que todos desejam que persista, é importante buscar conhecimento para rentabilizar melhor o patrimônio, além de tomar melhores decisões de consumo.

Educação financeira é mais que apenas escolher a melhor planilha ou seguir alguns passos para livrar-se do endividamento. Educação financeira é uma maneira diferente, mais honesta e menos hipócrita, de olhar para as finanças do lar. É consumir apoiando-se em objetivos e metas de curto, médio e longo prazo, além de considerar emergências e qualidade de vida.

O tema é importante porque diz respeito ao nosso dia a dia, ao que conseguiremos conquistar em termos de patrimônio e porque falar sobre dinheiro e investimentos ainda é um grande tabu.

EduFin: Como é a receptividade das pessoas diante do assunto? Entre os diferentes públicos com os quais lida, quais apresentam maior dificuldade ou menos receptividade/interesse?

CN: O tema desperta a atenção de todos, afinal dinheiro é importante, todo mundo gosta e desempenha importante papel no bem-estar familiar. O problema é que discutir finanças implica rever comportamentos, decisões de consumo e atitudes que estão relacionadas com outros aspectos, como comportamento e relacionamentos. Apesar de tão presente e reconhecidamente importante, o tema ainda é um tabu.

Os jovens são mais abertos a discutir o tema, especialmente porque ainda não tem comportamentos enraizados e estão começando suas vidas profissionais e relacionamentos. Famílias já estabelecidas têm mais dificuldade porque algumas mudanças precisam ser acompanhadas de novos hábitos, além de boas doses de humildade, cumplicidade e sinceridade.

Família

EduFin: Em seu livro “Vamos falar de dinheiro?” você trata de “atitude, comportamento, planejamento financeiro e sucesso nos investimentos”. Quais atitudes e comportamentos você identifica na população brasileira que são erros típicos que levam ao endividamento? Como mudá-los para conseguir se planejar e investir?

CN: O principal problema do brasileiro é o imediatismo e a disparidade entre as camadas sociais e o que elas consomem. A estabilidade econômica é uma conquista recente – tratar de planejamento financeiro é algo que só passou a fazer sentido depois da chegada do Plano Real. Some a isso o fato de o brasileiro ter muitos desejos de consumo represados e o resultado é uma busca constante por mais produtos, ofertas e conforto. A mudança é lenta, gradativa e passa por uma reeducação em termos de consumo, algo que está associado ao exemplo familiar (filhos que aprenderão com seus pais) e também com a elevação no nível do ensino e formação do país como um todo.

Eu diria que aprender a lidar melhor com a frustração é um passo fundamental para aumentar o patrimônio e a qualidade de vida. O problema é que essa relação não é óbvia e clara quando passada dessa forma. No fim das contas, o ponto em que insisto é que precisamos valorizar nossa qualidade de vida associando-a com conforto, mas também com as diversas coisas associadas ao dinheiro e nossas decisões de consumo. Todos nós desejamos uma vida tranquila na aposentadoria, sem depender de parentes ou de caridade, mas a hora de criar as condições para que isso aconteça é agora, quando ainda temos tempo, disposição e dinheiro para tal.

EduFin: Qual o primeiro passo para se tornar investidor?

CN: Gosto de quatro passos complementares: equilíbrio, comprometimento, amor e prática.

O equilíbrio resume bem o que é necessário para que um simples cidadão possa se transformar em um poupador e, então, em um investidor. Irônica e felizmente, equilíbrio também diz respeito ao “se” (frequente em quase todas as nossas decisões). “Se eu deixar de comprar a TV agora, posso guardar o dinheiro para comprá-la com desconto depois do Mundial. Se eu evitar tantas baladas, talvez tenha dinheiro para a viagem de navio que tanto gostaria de fazer”. O que muda?

A diferença mesmo quem faz é o comprometimento e o amor. Comprometimento com a melhora, com a possibilidade de crescer, agregar valor e construir patrimônio. Amor próprio, que reflete-se na autoestima e na capacidade de, ai sim, tomar partido e avaliar com mais inteligência as alternativas disponíveis. Amor pela família, o que garantirá que os objetivos comuns serão igualmente valorizados e respeitados.

A prática representa a ação, porque não adianta nada saber qual o investimento ideal para seu momento, mas não colocar dinheiro lá. Então, se tudo o que eu disse não fizer sentido, simplesmente comece. Invista. Coloque seu dinheiro em alguma aplicação, mantenha-o lá, aumente o capital investido e sustente essa decisão. Pratique!

EduFin: Você aconselha algum tipo de investimento específico?

CN: Segurança é uma palavra muito importante no vocabulário do investidor inteligente. Muito embora a visão romântica dos investidores mostre-os sendo agressivos, fazendo negociações frenéticas através de computadores e sentados ao lado de dúzias de monitores, é fato que boa parte dos recursos destes participantes do mercado financeiro está seguro, investido em aplicações conservadoras, como o Tesouro Direto, por exemplo.

Investir, portanto, não é sinônimo de arriscar. Investir é, antes de tudo, uma decisão inteligente e que precisa ser tomada levando-se em conta o patrimônio do investidor, seu grau de aversão ao risco, perfil (idade, estilo de vida e conhecimento de finanças e mercado) e seu tempo disponível. Investir, na minha concepção, é construir e usufruir da liberdade.

Sendo assim, recomendo que o investidor tenha em mente que a renda fixa, que para mim é sinônimo de Tesouro Direto, deve ser a base para os investimentos familiares de curto e médio prazo. A reserva de emergência deve estar em uma aplicação líquida e simples, sendo a caderneta de poupança uma aliada interessante. E para a parcela do patrimônio que será usada para objetivos de longo prazo, gosto e recomendo o mercado de ações, seja diretamente ou através de fundos.

EduFin: É contra ou a favor de investimentos em renda variável, ações? Quais os benefícios e malefícios deste tipo de investimento?

CN: Sou a favor e acredito que com os juros cada vez mais baixos, o mercado de ações será cada vez mais a opção de muitos investidores. Mas, para uma grande maioria, o mercado de ações ainda é considerado um investimento muito arriscado, além de ser um “estranho” e “difícil” meio de construir patrimônio e riqueza.

Com quanto dinheiro começar? Como escolher uma corretora? Comprar ações de quais empresas? Estas perguntas são apenas algumas das mais comuns que normalmente recebemos por e-mail e que são proferidas em eventos e palestras. Assim, o mais importante sobre o mercado de ações é que ele precisa ser compreendido e estudado para que faça sentido para o investidor.

Todos sabemos que a oscilação dos papéis, e consequentemente dos índices, é característica básica deste tipo de investimento. Os movimentos de alta e baixa denominam a chamada volatilidade, variável importante da sistemática de risco presente na bolsa de valores. Vale a máxima “quanto maior o risco, maior o retorno”. O iniciante, portanto, precisa entender e aceitar que o “sobe e desce” faz parte.

Conhecida a natureza da renda variável, o investidor deve questionar-se quanto ao grau de aversão ao risco. Sua estratégia de investimentos precisa estar alinhada aos seus objetivos e perfil pessoal. Isso significa dizer que não existe certo e errado no investimento em ações.

Estratégias que funcionam bem (ou não), momentos e aprendizado, estes sim estão presentes no dia a dia das negociações de ativos. Pequenas perdas que, se bem aceitas e processadas, evitam grandes prejuízos. Lucros constantemente realizados, ainda que pequenos, que evitam que a ganância se instale.

EduFin: Como fazer para reduzir os riscos? Qualquer pessoa pode investir em ações?

CN: O medo diante do desconhecido é normal e necessário, mas não pode ser a resposta ao desafio imposto. O medo deve ser parte do processo, deve servir para criarmos estratégias capazes de dominá-lo e, apesar dele, buscar oportunidades. Entra em cena o gerenciamento de riscos, uma ação fundamental para garantir que os recursos estão alocados de maneira inteligente.

Assim, para reduzir riscos é necessário criar e respeitar uma estratégia de investimentos, usar mecanismos de proteção (stop e apostas contra o cenário previsto [hedge]) e manter-se livre de emoções na hora de investir. Além disso, o investidor bem-sucedido sabe que algumas decisões poderão representar perdas significativas, mas ele nunca arrisca o dinheiro que garante seu padrão de vida e o bem-estar familiar.

Bolsa de Valores

EduFin: Como você acha que a educação financeira pode influenciar no mercado financeiro? O incentivo ao investimento em ações não pode ser uma transferência da inconsciência de consumo, isto é, a pessoa deixa de se endividar com o cartão de crédito, mas perde o equilíbrio financeiro ao se entusiasmar demais e sofrer grandes perdas na bolsa?

CN: Investimento e consumo são coisas que devem andar juntas, não faz sentido desassociar uma da outra ou querer que o leitor consuma ou invista. É importante consumir, com consciência e respeitando seus limites, ao mesmo tempo em que poupa e investe para realização de metas futuras.

Neste sentido, muitos leitores querem saber qual é o “melhor investimento”, mas raramente procuram associar a decisão de investir a um horizonte temporal e metas claramente precificadas. O que acontece é que, muitas vezes, o que realmente fará diferença é a força ao encarar a necessidade de adiar o consumo, todo mês, para investir na realização de um objetivo (que pode ser de consumo, claro).

A realidade de reavaliar o orçamento mensal e o padrão de vida, que acarretará em uma eventual frustração por ter que deixar de fazer alguma coisa, será recompensada pela chance de ter uma vida mais livre e menos ancorada em expectativas dos outros e exigências sociais ridículas.

Assim, se a renda continuar crescendo e as opções de investimento seguirem reforçadas de educação financeira, o horizonte tende a ser interessante. Mais brasileiros com mais qualidade de vida e, ao mesmo tempo, elevando suas reservas e patrimônio para desfrutar de sua aposentadoria com tranquilidade (este é um item que me preocupa muito).

O que quero dizer é que o investidor bem-sucedido preocupa-se com seu patrimônio porque ele lhe dá liberdade, não porque faz dele alguém “maior” ou “diferente” do vizinho.

EduFin: Se as ações diversas direcionadas a educação financeira derem resultado positivo, o mercado está ou estará preparado para receber tantos novos investidores?

CN: Acredito que sim. Devemos ver alguma consolidação no que diz respeito aos participantes do mercado (corretoras, butiques de investimento etc.), mas temos excelentes opções à disposição do investidor. Preocupa-me mais o amadurecimento do poupador que a regulação e oferta de produtos financeiros.


Conrado Navarro está sempre presente nos debates da mídia especializada, com aparições em diversos veículos de renome nacional, como Istoé Dinheiro, Folha De S. Paulo, Estadão, Exame, jornais e revistas diversas e já ministrou palestras para mais de 10 mil pessoas. Atua também como professor convidado e consultor independente.


Mais sobre seu trabalho em www.dinheirama.com
Conheça também a TV Dinheirama, vídeos exclusivos sobre finanças pessoais e investimentos: www.youtube.com/dinheirama
No Twitter: @Navarro e @Dinheirama

EduPapo com Conrado Navarro

3 comentários para EduPapo com Conrado Navarro
    • Conrado Navarro
    • Amigos do EduFin, quero agradecer pelo convite e dizer que foi uma honra participar do EduPapo de estréia de 2013. Fico à disposição e desejo a todos vocês um excelente 2013! Forte abraço!

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