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TAL PAI, TAL FILHO

As famílias costumam repetir estruturas e padrões de relações adotados nas gerações anteriores, como numa medida para sua manutenção ou mesmo proteção, mas isso tanto pode ser positivo como negativo.

Para entendermos a forma como lidamos com as relações, comportamentos, hábitos e costumes, precisamos primeiramente saber como os nossos pais, avós, bisavós e outros ascendentes faziam, agiam e se comportavam, pois muitos destes, com certeza estão sendo repetidos por nossa geração.

Pensando nas relações familiares, identificamos tanto a afetividade e proximidade entre os pares, como conflitos, relações tumultuadas e distanciamentos que, sendo explorados, também serão observados nas gerações anteriores.

As crenças religiosas, valores e princípios morais e éticos também passam entre as gerações e influenciam o jeito de ser e de agir dos membros das famílias.

No comportamento de consumo, hábitos e costumes, identificamos, por exemplo, a repetição no uso e/ou abuso de bebidas alcoólicas, também do tabagismo, do uso de outras drogas ilícitas e/ou da prática de jogos de azar. Ainda sobre o comportamento e hábitos de consumo, encontramos casos que caracterizam uma relação “imprevidente” no uso dos recursos financeiros no presente e, principalmente, na falta da formação de reserva para utilizar no futuro.

O foco nesse artigo é a repetição da situação econômica nas famílias. Quando o cenário econômico é positivo, geralmente, encontramos a repetição do comportamento de consumo consciente e previdente e, nos casos negativos, observamos a repetição na falta do zelo com o dinheiro, gastando sem conhecer e comparar os preços dos produtos e serviços consumidos, sem avaliar previamente se pode ou não pagar naquele momento, sem a prática de pedir descontos, o que, cumulativamente, influencia para a escassez ou falta de recursos e com ele, vários momentos de dificuldade financeira ao longo da vida.

A verdade é que nem sempre é fácil e possível fazer essa leitura dos fatos; ou seja, de identificar que se está copiando os maus hábitos e comportamentos que foram dos ascendentes. É difícil questionar, porque afinal, como romper com a forma que aprendemos como correta? Por isso é importante o apontamento e o auxílio profissional.

O que parece ficar esquecido é que as mudanças naturais no cenário e na conjuntura impõem a necessidade de mudança também nos comportamentos, hábitos, práticas e costumes, bem como nos padrões familiares.

Porque, se nas gerações anteriores não estava dando certo, se repetido hoje, é provável que fracasse.

Naturalmente somos projetores dos nossos ascendentes e espelhos para os descendentes, daí a importância de adotarmos ‘filtros’, a fim de aperfeiçoarmos as estruturas, práticas e padrões de relacionamento nas famílias.

Ivana Medeiros Zon, Assistente Social, especialista em Saúde da Família e em Saúde Pública,Educadora Financeira, membro da ABEF – Associação Brasileira de Educação Financeira, palestrante, consultora, colunista do Portal EduFin www.edufin.com.br

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