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Nas crises: prudência, equilíbrio e fé

Na outra via da medicalização do endividamento, sobram questionamentos se existe (em) ou não estratégia (s) para o enfrentamento nos períodos e nos efeitos das crises, que garantam a manutenção da saúde mental individual e familiar.

Sobre isso, encontramos vários estudos que traçam a relação entre a espiritualidade e a saúde mental e que apontam que quanto mais estreita for, melhoram os indicadores de bem-estar psicológicos, que atuam como um importante suporte no enfrentamento às situações estressantes, como os momentos de crise, incluindo a socioeconômica.

Um desses estudos foi desenvolvido na Europa e divulgado em 2009, tendo como um dos autores o professor da PSE – Paris School of Economics – Andrew Clark, que comprovou que as pessoas espiritualizadas se consideram mais satisfeitas, felizes e saudáveis do que àquelas que não se classificam como espiritualizadas. Essas pessoas têm mais chances de se recuperarem de choques, doenças e crises.

Outra comprovação científica importante desta relação é que previne o adoecimento psicológico, seja pela depressão – ao combater os sentimentos negativos de desesperança, amargura, angústia, culpa e assim, afastando os pensamentos e comportamento suicida – ou pelo uso abusivo de álcool e outras drogas, por reduzir o risco ao vício.

O indivíduo com fé tem mais recursos internos para lidar com os problemas da vida.

Outra via que desponta em tempos de crise é o aumento na “fezinha”; ou melhor, nas apostas em jogos, que inspiram a imaginação coletiva e aparecem neste cenário como uma fonte de esperança ou “tábua de salvação”. As filas nas lotéricas para apostas aumentam, inversamente proporcional à disponibilidade de recursos financeiros.

Na expectativa de desempregados, “apertados” ou descontrolados financeiramente, aumenta a busca por fontes imediatas para reverterem à situação financeira e assim recuperarem a qualidade de vida. Às vezes, utilizam as últimas reservas financeiras nessas apostas, movidos pela esperança e otimismo de ganharem e assim escaparem dos efeitos da crise, mas infelizmente os “sortudos” são poucos e com isso as reservas finais, mais frequentemente, vão para o “ralo”.

Vale destacar que até o preço dos jogos de loterias aumentaram recentemente, a exemplo dos bilhetes da mega-sena, que ficaram 40% mais caros.

Cada um tem o seu jeito próprio de ter e de manifestar a fé, independente de religião. Ter fé em algo ou em alguém atua diretamente no comportamento, estimulando o autocontrole, a ética, a solidariedade, a esperança e que associados à ação, geram/melhoram a reação.

É preciso lembrar que crise também tem um ciclo e que já superamos outras crises antes.

Diante das evidências, mantenha a fé, o entusiasmo e… faça a sua parte!


Ivana Medeiros Zon, Assistente Social, especialista em Saúde da Família e em Saúde Pública,  educadora financeira, palestrante, consultora, colunista do jornal eletrônico www.seculodiario.com

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